“(…) a esperança de um novo império, ao qual, pelas razões que se verão a seu tempo, chamamos Quinto. Entretanto, para que a matéria de uma vez se compreenda e saiba o leitor em suma o que lhe prometemos, porei brevemente aqui sua divisão.
Divide-se a História do Futuro em sete partes ou livros:
- no primeiro se mostra que há-de haver no mundo um novo império;
- no segundo, que império há-de ser;
- no terceiro, suas grandezas e felicidades;
- no quarto, os meios por que se há-de introduzir;
- no quinto, em que pessoa;
- no sexto, em que tempo;
- no sétimo, em que pessoa.
Estas sete cousas são as que há-de examinar, resolver, e provar a nova história, que ofereceremos do Quinto Império do mundo. (…)
“A primeira qualidade da história (quando não seja a sua essência) é a verdade; e (…) esta parecerá muito dificultosa e, porventura, impossível na História do Futuro (…), se o Espírito do Senhor (como esperamos) não nos faltar com sua assistência (…) dirá Deus o que só ele pode dizer, e far-se-á o que só ele pode fazer.
“Esperanças de Portugal” constitui-se como o primeiro grande esforço de teorização da visão profética do Quinto Império na obra de Padre. António Vieira. Fundamentada nas Trovas de Bandarra e na tradição judaica lida em Esperança de Israel, de Menas sebento Israel, Padre. António Vieira evidencia nesta sua carta a estrutura universal, a temporalização, a espacialização geográfica e a sistematização hierofântica da consumação do Quinto Império.
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