Na Literatura Portuguesa, a designação de barroco para classificar determinada época e determinado estilo tornou-se quase ambígua, em virtude das muitas e desvairadas acepções que foram atribuídas à palavra. De barroco, sinônimo de bizarro, de barroco, esquema escolástico de silogismo falso, de barroco, termo corrente na crítica de artes plásticas, sinal de mau gosto e coisa absurda, passou-se a barroco, etiqueta histórica e estética, que se dava como equivalente ou palavra substituta de Seiscentismo.
O barroco é fruto duma atitude espiritual complexa, carregada de elementos renascentistas, evoluídos ou alterados, atitude que leva o Homem a exprimir-se, na pintura, na arquitetura, na poesia, na oratória e na vida, segundo um modo sui generis. Este modo concretiza-se na literatura por uma rebuscamento da perfeição formal, uma aventura de arte pela arte. Na prosa seiscentista, os períodos articulam-se em paralelismos e simetrias, em frações sabiamente bimembres ou trimembres, em antíteses.
Os limites cronológicos do barroco português podem fixar-se, sem rigidez, entre os anos de 1580 e 1756. A prosa atinge nesta época a sua maioridade. Entramos num mundo novo de ritmo e estruturação da frase, num novo sistema de articulação das palavras na frase e das frases no discurso. A prosa barroca é uma prosa artística; possui a maturidade que não alcançara a prosa do Quinhentismo.
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